APCAB: O que lhe sugere o termo «cultura afro-brasileira»?
Bem este termo é bastante amplo, mas se me dessem um X de tempo para eu responder eu tinha obrigatoriamente que falar sobre as origens do Brasil, e como se sabe quando foi colonizado foi por escravos que os portugueses se lembraram de levar para lá. Mas sobretudo a cultura afro-brasileira, no meu ponto de vista está associada com o povo menos dotado de privilégios sociais devido à classe a que pertencem e que são oriundos, famílias negras brasileiras.
APCAB: Sente que a cultura portuguesa está em mudança, influenciada pela larga presença brasileira em Portugal?
Claro. Eu não quero parecer “mauzinho” mas nestes últimos tempos o que não falta são notícias sobre brasileiros que fazem asneiras em Portugal. Agora falando mesmo de cultura, a tentativa dos muitos brasileiros que involuntariamente seguem os seus costumes por cá, eu acho que não afectam nada os portugueses, isto porque talvez sejamos um pouco bastante fechado, as interacções sociais existem, mas as mudanças são zero, cada um joga na sua equipa e não há cá misturas, infelizmente. Talvez a presença de futebolistas brasileiros influencie o futebol, mas tirando isso não estou a ver nada que possa ser chamado de costume brasileiro em Portugal praticado por portugueses.
APCAB: Candomblé, Orixás, Yemanjá. São palavras familiares?
Felizmente estamos livres de santos para tudo o que é lado. O povo português que levou bastantes religiões para o Brasil nisso encontra-se mais à frente, cá ninguém morre por causa de suicidios de religiões. Temos também as nossas, mas cada vez mais somos um povo ateu. Tinha ouvido falar em Candomblé, devido ao rap que ouço, pois adoro o rap que é feito no Brasil, aliás o meu grupo prefiro é brasileiro (Racionais MC’s). Nunca tive a curiosidade de pesquisar sobre os outros, não conheço. Fui agora à Wikipédia e já tenho noção do que são, mas não conhecia nenhum, apenas de nome, sem saber o que era.
Obrigado pela oportunidade para responder a esta entrevista.
